terça-feira, novembro 14, 2006









Mnemosine Acordada


A harpa de Apolo
Fez Mnemosine acordar
Foi breve a melodia
Que a fez do seu sono despertar

Ainda reminiscente em seu sono
E na névoa escura que se abateu
Melancolia de tempos idos
Que o coração não esqueceu

E das vidas que em tempos foram
E dos amores que em vão se vão
Escuras paredes recordam
A tristeza de um coração

Oh musica se o vires não digas
Que ao ouvir-te um dia chorei
Por mais que a historia seja antiga
O meu erro só eu o sei

Tantas voltas dá a vida
Muitas mais dá o coração
Estou só, estou perdida
E perdi toda a razão

Nem Caliope salva
Este melancólico cantar
Sonho de tempos idos
De um coração relembrar

Esta é a alma triste
De quem chora sem querer
Quando a lembrança existe
E a musica a faz doer…

quinta-feira, outubro 12, 2006



















Um anjo que vela

Presente nas mais remotas
sombras da essência
Um anjo vela a alma perdida
Não sabendo da sua existência
A alma chora esquecida.

Os corais dormem na falésia
Cortejando o abismo reluzente
Gozam o malfadado fado
Da sofrida alma que sente.

E o anjo não se revela
E mantém-se da alma escondido
Sofre pela alma que pena
Uma réstia do sonho esquecido.

Mas a alma desconsolada
Pela dor do seu mal atroz
Cai nos braços, é embalada
Pelo anjo das sombras
Protector dos sós.

E a alma que morre lentamente
Em chamas se irromperá um dia
E a fénix que delas brota lentamente
Não lembrará certamente
O embalo do anjo que nas sombras vigia.

quarta-feira, setembro 20, 2006




















Tempestade

Tempestade
limpa a minha alma
e leva-o pra longe
leva-o para longe a ele
leva o ressentimento
leva tudo
e tudo recomeça…

Mas não nesta peça
nela não recomeça
não volta atrás a dor…
O tempo que foi curto
o sentimento imenso
e ele…
Cada vez que o penso
traços deixou de algo tenso
este sentimento pretenso
de algo semeado pela dor…

Mas não, não recomeça
malfadada a peça
que teima em amargurar…
E malfadados os que mentem
e amaldiçoados os que separam
e a brisa do ressentimento
em tempestade em mim deixaram…

domingo, julho 16, 2006


















Desilusão

Caís-te do pedestal, caís-te…
E o profundo abismo te espera
Tu que me desiludiste
Tu que foste tu
Falsa quimera
Já foste… e já não és…
Já nem eu sei o lugar que ocupas
Em que dimensão vivo eu?
Em que triste ilusão forrada a desculpas?
Alvo anjo de asas cortadas
Foi o demo que tas cortou
E tu encantado como estavas
Conta não davas do que ele levou
Fechei a tua recordação num escuro abismo
Para não doer a tua ausência
Agora que não te vejo
Magoa-me o fantasma da tua candura
Falta-me a luz da tua presença
Teu ser para onde foi alvo anjo?
Que ser imundo to levou?
E que ser austero foi este
Que teu lugar ocupou?
Tu que eras…
Tu que já não és…
Da Fénix dourada foste
Até as cinzas o vento levou…





















Será ousado sonhar?...

Será ousado sonhar
Com a luz da eterna esperança
Será ousado sonhar
E desejar como uma criança

Será ousado guiar-me por ti
Alado coração reluzente
Que volta e meia me enganas
E me envolves docemente

Sonhos são vãs esperanças
Solitários que voam em céus esquecidos
Quem os matou coração alado?
Quem os tornou devaneios perdidos?

Quem foi o carrasco dos meus sonhos?
Quem foi?
Que ser magestático foi esse
que te magoou e levou a Fénix
para longe dos teus dias?
Coração alado que esqueceu de sonhar,
porque ficas parado se sabes voar?

quinta-feira, junho 22, 2006



Não fosses tu

Não fosses tu
o coração ausente
da chama tão presente
do amor…

Não fosses tu aquele
por quem o coração
e a alma se suprimem…

Dono dos meus medos
dono das chamas
dos segredos
da dor…

Os meus credos
suprimem-se em lágrimas
Os tristes abismos
cortejam-me a alma…

E a alma esquecida
procura na calma
esquecer a dor
da paixão perdida…

segunda-feira, maio 29, 2006






















Coração que sonha

Frustrados os medos brilham nas brumas
Perseguem o triste coração reluzente
Que entre sonhos e vagas parado
Mantém ainda o sonho presente

Sonha com anjos e fadas
Com mitos e quimeras perdidas
Porque não te esqueceu um só dia
Anjo de vidas esquecidas

Alvo anjo que voas
Não ficou vazio teu lugar
Que grande sentimento guarda
O coração que já soube voar

A Fénix resplandecente
Seu brilho alado perdeu
Será ousado sonhar um dia dizer-te
Que sua alada luz renasceu

Glorioso dia esse que não vem
No futuro virá ou não
São as linhas com que se cosem
As feridas de um coração...

segunda-feira, maio 15, 2006

sexta-feira, maio 05, 2006






















Dono do olhar de ébano

Amo-te anjo Branco
que percorres minha vida docemente
Amo-te ó Fénix resplandecente
que nasces-te de um coração
pela dor ardido lentamente…
Tu, dono do olhar de ébano
foste a luz dos olhos
de quem vivia perdida
no limiar do abismo…
Foste a luz dos olhos claros
da filha pródiga das trevas
do anjo da escuridão…
Asas negras não voam
Anjos negros não sonham voar
sob o luar prateado
suspiro por teu olhar
Para que um dia contigo
também eu o céu possa tocar…

segunda-feira, abril 24, 2006















Filha da Escuridão

Sou eu
a filha da escuridão
aquela que vagueia entre as sombras
Faço a minha caminhada
no limiar do abismo
Seduzida pelas sombras
da profunda tristeza criada por ti
deixei-me habitar pela escuridão
Perdi a luz dos teus olhos
e a minha alegria afundou-se com ela
As brumas que me rodeiam
e os fantasmas que me perseguem
são uma pequena parte
do lamento surdo da tua indiferença
Sinto que me estou a afundar
em lágrimas tristes de sonhos perdidos
tristes e profundos lamentos escondidos
Não consigo encontrar forças para renascer
levaste de mim a vontade de viver…

terça-feira, abril 04, 2006


















Cemitério de sonhos

Longe daqui
Longe de tudo
Onde os sonhos se desfazem
Enlevada em quimeras e fantasias
Ficou a menina que conhecias

Longe daqui
Longe de tudo
Onde os sonhos se destroem
E as magoas se desvirtuam
Tristes ilusões ainda flutuam

Longe daqui
Longe de tudo
Onde os sonhos desfalecem
E tudo perde o sentido
Ficou meu coração perdido

Longe daqui
Longe de tudo
Onde os sonhos se desvanecem
Toda a esperança se perdeu
E até os sonhos se esquecem…












Que suposta dignidade é esta?!

Que suposta dignidade é esta
Que me remete ao silencio
Que suposto ensinamento
Que me prende dentro de mim própria

Que suposta dignidade é esta
Que me faz amar-te e esconde-lo
Que me impede de grita-lo aos sete ventos
E esperar o teu eco

Que suposta dignidade é esta
Que me fere
Que me faz olhar-te nos olhos
E manter-me calada

Que suposta dignidade é a que me mantém
Austera rainha do meu tempo
Do meu espaço, da minha indiferença
Do sentimento abafado
Há muito por ti acordado

Que suposta dignidade é esta
Que me envergonha
Que me faz esconder e velar
O mais verdadeiro dos sentimentos

Que suposta dignidade é esta
Para que serve ela?
Se continuo a olhar-te
E a não te ter nos meus braços

Que suposta dignidade é esta
Que me faz velar por ti
Desculpa, Anjo Branco
Mas ainda não te esqueci.

terça-feira, março 21, 2006











Goodbye...

I’m not making them upon everything
My dreams...
They’re burning all down
They’re following you
Into the deepest shadows
Hurting my heart
Hurting my soul
Turning into sadness and wounds
Every left part of me
They’re drowning me
Into a sea of sadness and nightmares
The rain comes down
And I barely can’t fell it
The ghost of your presence
Left a hole in my life
Made me fell like
Hollow inside...
Here comes the brese of tears
You’ll never fell it
But I have to say it
Goodbye...

domingo, março 12, 2006









Cruel Anjo Branco

Anjo branco porque foges?
Porque me deixas-te?
Porque matas os sonhos
que em vão crias-te?
Porque não és capaz de me olhar?
Porque partiste um coração inocente
cujo único pecado indecente
foi um dia o teu amar?
Porque me fazes chorar
pelo calor dos teus braços
pelo som dos teus passos
que sozinhos deixaram os meus ficar?
Porque levaste as tuas asas e me deixas-te
ferida e impotente
numa luta indecente
perdida ao começar?
Porque foste cruel e frio
transformas-te teu amor num desafio
impossível de alcançar!
Minhas lágrimas caem
e estou a chorar
cruel anjo branco
porque me fizestes acreditar?










A tua sombra

Estrelinha da sorte
Deixei-te voar
Estás tão alta agora
Não te consigo apanhar
Sei que estás longe
Mesmo estando ao meu lado.
Desde que me deixas-te
Só sei eu o que tenho chorado
Tive-te quase na mão
Estive-te quase a agarrar
Mas no teu coração
Não me deixas-te ficar
Teus olhos me prenderam
Teu ser me cortejou
E agora a tua sombra
Na minha vida ficou
Queria esquecer-te
Esquecer a tuas voz
Esquecer a tua vinda
E a sombra reminiscente de ti
E pergunto de mim para comigo
Porque tem que ser tão duro
Estar a apaixonada por um amigo…













Mais que um triste lamento

E o sentimento não vai parar
No silencio chama por mim
E no silêncio continuo a pensar
Quando vai o sofrimento ter fim
E penso em ti
Entre estas quatro paredes
Como fui eu capaz de o sentir
Sabendo que tu não o sentes
Realidade?
O sonho é maior
E no silêncio queria saber
Se este estranho sentimento
Poderá algum dia ser
Mais que um triste lamento

















Perdi-me

Perdi-me
na estranha candura dos teus olhos
nesse mar de eternidade
Perdi-me no ápice de tempo em que te conheci
num eterno trocar de olhares
Senti que já te conhecia
embora nunca te tivesse visto
E morri e renasci naquele momento
Tua boca sorria
Todo tu eras luz
para os meus olhos de escuridão
A tua voz quente e dócil
atordoou os meus sentidos
Uma onda de rubor atravessou a minha cara
E a partir desse dia
Dessa hora iluminada
minha vida ficou para sempre marcada
e a partir daí
Não consigo pensar em mais nada…


















Raio de luz

Tu, estrela do ocidente
Que perpassas minha vida
Como um raio de luz
Mantém-te no meu trilho
Sempre
E conduz os meus caminhos
Mantém-te a meu lado
Visita a minha rua
Tal como vives em minha vida
Também eu viverei na tua
E viveremos os dias
Um de cada vez
Sem precisar de tristezas
Saudades, desilusões,
Agonias ou porquês…

quarta-feira, fevereiro 15, 2006


















Adoro-te

Adoro-te e quero que o saibas
Não interessa o que os outros vão dizer ou pensar
Cada um de nós é livre para amar
Explodi
Cheguei ao ponto em que não aguento mais
Só olhar-te, só ver-te, só esperar que apareças
Só esperar que por milagre
Ou por uma coisa estúpida e vazia
Chamada acaso encontrar-te…
Não quero estar confinada a essa
Palavra vã
Essa palavra estúpida de tão pequena que é
Essa palavra “só”
Quero encontrar-te porque te procuro
Estar contigo porque te adoro
E olhar-te nos olhos não por causa dos outros
Mas porque eu quero
Porque eu o provoco…
Neste momento cheguei a um ponto crítico
Apetece-me dizer aos sete ventos o que sinto
E na realidade não sei como o fazer
Quero que o sintas mas não sei como fazê-lo
Quero que o saibas mas não sei como dize-lo
E vivo perdida sem saber como mostrar
O simples facto de te amar.

terça-feira, fevereiro 14, 2006


















De todas as vidas

Procuram príncipes encantados
As sonhadoras meninas
Ainda esperam o dia
Em que em cavalos brancos montados
Tragam a paz e o conforto
Dos dias em que a vida
Por não ter mais nada a trazer-lhes
é uma eterna tarde de domingo
vazia e sem qualquer sobressalto
Só eu não espero utopias
vazias de sentimentos e de sonhos
Porque te encontrei, a ti,
Anjo alado descido do céu
Príncipes, cavalos, utopias e quimeras
São pequenas insignificâncias
Se a teu lado dispostas
Porque tu, tu és a luz resplandecente
Do amor desta e de todas as encarnações
Quando te vislumbrei
Pela primeira vez
Uma explosão de luz e calor
Deu-se dentro de mim
E essa luz que fizeste brotar no meu peito
nunca mais se apagou
Houve outros que tentaram ofuscar-te
mas por mais bela e perfeita
que seja a peneira
nunca tapará a luz do sol…
E as tuas asas,
refugio das minhas horas tristes
e dos meus desassossegos
são a liberdade mais pura
por mais triste que a hora seja
a brisa da sua chegada é o conforto
e o extinguir de toda a angustia do mundo.
Tu foste a minha libertação
a mais bela experiência da liberdade
alguma vez sonhada.
A presença divina do mais puro
do mais sereno dos olhares.
A ti entrego a minha espada
e o meu destino Anjo sereno
A ti os confio para os guiares.
Não procuro a paz
nem esquecer a guerra ou as lutas antigas
Serás o meu refugio na terra
Amor de todas as vidas!

















Resplandecente tesouro

Não sei se confiar no que digo
Ou se o que digo está correcto
Só sei que quando estou contigo
Não faço nada certo.
Atrapalho as palavras
Fico perplexa a olhar
É tudo tão esquisito!
Passo horas a planear o que falar
Faço discursos enormes e rebuscados
Na minha cabeça
Mas quando estou contigo…
Tudo se dissipa
Num ápice de luz que és tu
E zango-me comigo mesma
Mas é tão difícil não ficar
Pasmada e boquiaberta
A olhar a luz emanada por ti!
Esse bafo quente e primaveril
Desse ser uno e perfeito que és tu
Anjo resplandecente…
E a teu lado permaneço silenciosa.
E porque todas as palavras do mundo
São supérfluas, tolas e vazias
Na tentativa falhada
De te descrever
O silêncio é de ouro
E eu de boca fechada te contemplo
Resplandecente tesouro.





















I’ll be

I’ll be the human fighter
Fight for good and for wrong
I’ll be the humam fighter
Make you better
Make you strong
I’ll be the one who will never judge you
The one who will never question your steps
Or change your moves
I’ll follow you into the deepest shadows
The ones who stand in your mind
And take your faith
I’ll make you believe
In the one you criticise the most
Yourself...
My wings will stand upon the doubts
But don’t forget
I am the human fighter
All I can do lies benieth you





















É agora

Só um momento
pode trazer tudo
Só um momento
tudo pode levar
como irá isto acabar…
Neste momento que te olho
pergunto qual será o momento
que seguirá o que vou dizer
Subirei aos céus
ou descerei ao mais profundo
dos abismos da terra
Como o digo?
Sou directa?... Frontal?...
Ou estou com rodeios
e com palavras supérfluas
que significam tudo e ao mesmo
tempo nada?...
Só um momento pode tudo trazer
ou tudo levar…
Receio ver na tua cara
o olhar perplexo da descoberta
e perder a tua amizade
para sempre…
Então sei que um jorrilho
de palavras absurdas e confusas
sairá da minha boca como um
turbilhão de sentimentos reprimidos,
e acabará com a esperança
ainda reminiscente em mim…
Por agora é melhor não pensar nisso
Calma, repito para mim mesma
Calma… É agora…




















Certeza… Incerta?!

Preciso de perder o medo
De uma luz inquieta
Preciso de perder o medo
Se a hora é incerta
E olhar-te nos olhos
Com a minha incerteza
E dizer-te o que sinto
Sem medo de ganhar o que quero
Ou perder o que não tenho
A esperança
Palavra vaga que às vezes aperta
No coração de alguém
Cuja certeza é incerta
É certo que te amo, sim
E que te quero cada minuto
Mas coração que sente
Por vezes é astuto
E faz-me sentir perdida assim
Sem saber ou imaginar
O que sentes por mim
A sua certeza é certa
Diz-me que te ama
Mas por vezes é incerta
Porque teu eco reclama
E vou vivendo assim perdidamente
Vagando nas ondas de um coração que sente

3.º Luar de prata, magia de lua prateada






















Loucura

Não quero saber!
Não me interessa
Parece mal?
Tapem os olhos
Não vou deixar de ser quem sou
Viver a minha vida
Ou esquecer os meus sonhos
Por alguém que ousou
Criticar aquilo que sou
É inadequado?
Vão para o diabo com as inadequações
Ou então… deixem-me ir sozinha
Porque havemos nós de ir juntos?!
Ah, e já agora
Que raio de noções de inadequação pode ter
Aquele que nunca a sua vida
Ousou sequer viver?
É tudo uma máscara!
Vão para longe! Vocês e as correntes
E as grades e os cadeados e tudo o resto
Com que me querem prender
E esconder a sete chaves
O esplendor do que sou!
Julgam que eu deixo? Enganam-se!
Não, não deixo!
Vou gritar no escuro, para a noite me ouvir
Fazer cenas tristes e dançar até cair
Vou insurgir-me contra quem for
Olhar nos olhos dos estranhos
Falar de amor
E viver cada suspiro como se fosse o ultimo
E, no fim de tudo
Já cansada
Quando para me chamarem louca
Não faltar mais nada
Sentar-me no meu banco de jardim
E sentir que por viver os meus sonhos
Tenho o direito de olhar as estrelas
Que tal como ela contam a minha história
Também eu conto a história delas…





















Rumos

Ainda penso em ti
se era isso que querias saber
ainda te recordo
ainda te relembro, ainda…
Porque não te despediste
não me deixas-te dizer-te adeus
nem lamentar a tua partida
por isso ainda acredito que estás aqui
e procuro-te por todo o lado…
Por vezes a minha alma
reclama o som da tua voz
ao seu lado… como sempre…
Mas ela não vem…
E irrito-me, e praguejo
sozinha entre estas paredes
escuras e frias desta sala
contra ti que te foste!
Mas era inevitável
tinhas que seguir o teu trilho
e eu, o meu…
Mas o meu ficou mais vazio
as tuas pegadas
deixaram de acompanhar as minhas
para serem traçadas lá… longe…
para lá do horizonte
E eu, subitamente mais triste
por me dar conta da tua ausência
continuo a andar…
… deambulante…
Os meus passos já não são firmes
porque não sei para onde vou
Antes sabia o meu lugar,
agora vagueio entre o lugar de muitos
sem encontrar o meu
nem com que preencher o teu
Mas prossigo em busca do meu rumo,
Sem ti…


















A procura

Sim, eras tu
Eras tu o abrigo sempre presente
O meu refugio…
Era por ti que tudo era melhor
e por ti a minha busca fazia sentido
Eu vivia nas trevas
e procurava a luz
tu eras o meu guia
estavas presente em todos os momentos
a meu lado…
Bastava a tua presença
e toda a dor se dissipava
tudo era melhor
Mas o pesadelo aconteceu, tu foste-te
e eu perdi a luz dos teus olhos
e voltei para as trevas
para as minhas trevas.
Mas continuo a lutar
e a procurar a luz para mim
e tenho que te agradecer por isso
Porque agora que sei que existe
a minha busca ganhou sentido
e mesmo que não volte a ver
a Luz dos teus olhos
Sei que ela existe
e, só por isso valeu e valerá sempre lutar
sim, por essa luz, vale a pena…















Tu… nem imaginas…

Deambulante e perdida
Erro nesta tenda
Toda a gente se diverte
Menos eu…
Eu que te procuro aqui
Entre este confuso maralhal de gente…
Alguns, despresíveis, olham-me e assobiam
Outros olham-me com desdém
Outros, porém, nem imaginam que eu existo
Eu sei… Eu sei que não estás aqui
Que a minha procura é em vão
Mas ainda assim, procuro-te
Porque a minha Alma o pede
Porque ela quer ver-te
Mesmo sabendo que tu não estás
E tu… tu estás tãaaoo longe!
Queria, queria tanto que tu voltasses!
Ai! Como me fazes falta
E como tenho pena que não o saibas
Entretanto
Esta gente à minha volta continua a dançar
Embriagam-se, até cair
Alguns já nem sabem o que dizem
Nem o que fazem
Tal como eu…
Mas por razões diferentes
Lá longe tu nem sonhas,
Nem imaginas a confusão em que vivo
É estúpido não é?
Procurar-te aqui sabendo que estás longe
Mas mesmo assim,
Consciente da estupidez
Da minha busca desenfreada
Aqui, nas barraquinhas, procuro-te
E a musica continua…






















Asas negras

Sou o teu anjo negro
A que navega nas sombras que te habitam
A que foge dos olhares esquivos
Com que me procuras
A que vela nas brumas
A que te protege
Não tenhas medo
Esconde-te nas minhas asas negras
Onde não há dia nem noite
Onde as sombras e a luz se fundem
Num ápice de paz e tranquilidade
Depois terás de voltar
Mas terás sempre a teu lado
Um anjo escondido, mas presente
Que te guiará através das sombras
Através das trevas
Que os teus próprios medos
Criaram para ti
Que te mostrará a luz
Para além das brumas
Que tu próprio criaste
Nesse mundo só teu
Mas nunca me verás
Nunca me sentiras ou sentiras
Num único e só momento
A minha presença
Ou o sussurro de palavras doces
Que direi ao teu ouvido
Mas estarei aqui…
… para sempre.


















Não, nem tudo está errado!

Não, nem tudo está errado
Embora tu não estejas aqui
Foste-te, para que eu te lembrasse
e sentisse que não,
não era melhor assim
Nem tudo está errado
Porque eu não te esqueci
porque te relembro
porque uma parte tua
está ainda comigo
E faz com que te relembre
e te sinta, e sinta a tua falta
Não, nem tudo está errado
porque até o meu velho relógio
que eu parti para não contar as horas
e os dias, e os meses, e as estações
que demoravas a chegar
até esse me diz
que nem tudo está errado
porque até ele
mesmo partido e descompaçado
é capaz de dar horas certas
mesmo sendo só duas vezes por dia
Não, nem tudo está errado
nem em ti nem em mim
Nem em ti, porque te foste
Nem em mim, porque te relembro
porque te quero relembrar sempre
e não tenho vergonha disso
nem do que sinto
e sinto que vou sentir sempre
a suave brisa da tua ausência
e do tesouro que perdi
Não, nem tudo está errado
porque ainda não te esqueci…














Transparências

Nesta sala vazia
Relembro tuas mãos
Relembro em vão teus olhos
Relembro… em vão
Mas de que é feita a vida?
De que é ela feita
senão destas vãs recordações de nada
destes breves momentos de nada
em que me perco e me encontro
e em que entro nesta confissão
do tempo e desta breve madrugada?
Sim, gasto o meu tempo
gasto-o com estas memorias tuas
que de tão relembradas
de tão revisitadas
se tornaram breves lampejos
transparentes e gasto de algo que foi
Inconsciente, procuro-te nestas paredes
nestes muros
nestes paralelos da calçada
que tantas vezes calcorreamos juntos.
Ainda tento encontrar um lampejo
do teu sorriso
que não estivesse demasiado gasto
para te Relembrar.
E de novo me dou conta que todos
estão demasiado gastos
demasiado transparentes
demasiado… meus…
Sei-o, estou consciente de que tu
do outro lado do mundo
Nunca, mas mesmo nunca irás ouvir
esta brisa perene de lágrimas surdas
este breve lampejo de dor
que ficou da tua presença..
Perdida, mas continuo aqui a tua espera
e a espera de um sinal de que voltas
E estou aqui… sozinha
pois todos já se fartaram
de esperar o teu regresso
E todos já perderam a esperança
menos eu…






















Tu, tão somente tu!

Tu, tão somente tu
que me ajudas-te
tão somente tu
que me abraças-te
e tão somente tu
que me deixas-te!
Perco-me agora
tão somente nas horas
que relembro teus olhos
Meus passos tristes
que deambulam agora
em qualquer sala que tu andas-te
Em qualquer rua
que me abraças-te
Em qualquer sombra
que me ajudas-te
Tu, tão somente tu
que me faltas nestes momentos tristes
nestes dias difusos de nada
Partis-te… sozinho
Negaste-me uma despedida
e uns olhos chorosos
com que te pudesse dizer Adeus
e até sempre… meu amigo
Porque sim, sei que tinhas que ir
E agora que te penso,
que te relembro
Quero ver-te sempre assim
um alegre amigo do tempo
em que não te quiseste despedir de mim
Tu, que viajas-te para o outro lado do mundo
e deixas-te meu meio desmoronado mundo
só comigo
Guardo-te num lugar profundo
Meu melhor amigo…
















Anjo Negro

Sou o teu Anjo Negro
Aquele que vela nas sombras
Que te protege sem saberes
O que está sempre lá
mesmo que não precises
O que te acompanha de dia
e em todas as horas da noite
Sim, serei assim
Aquele que te guia no escuro
a luz ao fundo do túnel
o que te dá forças para lutar
o que lê nos teus olhos
aquilo que o coração esconde
O que tu não vês
Aquele que não agradeces
Enfim, Anjo escondido nas
sombras sem memoria…
…para sempre!

2.º Luar de Prata, uma nova luz, uma nova vida...

sexta-feira, fevereiro 10, 2006














Volta

Parem o tempo
Quero voltar para trás
Não quero sentir mais tristeza
Nem o frio que a saudade trás

Quando procurava um tesouro
Que sabia que existia
Mas que estava ao pé de mim
De verdade não sabia

Agora que ele partiu
É que eu sei o que perdi
Na tristeza da sua perda
Só eu sei o que senti

Sabias fazer-me sorrir
Como ninguém conseguia
Só agora que te perdi
Dei conta do que sentia

Quando a noite cai
Mais um dia para recordar
A tristeza do meu coração
Diz que amanhã não te vou encontrar

Volta, estou a pedir
Não quero continuar a sofrer
A pior do que posso sentir
É a hipótese de te perder
Breve

Meus olhos secaram
De tanto chorar
Meus sonhos acabaram
De tanto sofrer
Meu amor cansado
Morreu de esperar
Esperar sem esperança
De triunfar
E só ficou no seu lugar
A leve brisa das ondas do mar…













Praia de recordações

Pediste-me que se te visse chorar
Com alegria sorrisse
Nem mesmo tu acreditavas
Que essa proeza eu conseguisse

Teus olhos de escuridão
Numa praia clara vi
Foram os olhos mais tristes
Que na vida conheci

Com os olhos no mar perdidos
Tua alma deixas-te voar
Com olhos de sal choras-te a vida
Da lembrança triste que não te quer largar

Não chores pelo que acabou
Foi um sonho e vais acordar
Pensa que o teu coração sonhou
E que o teu mal vai acabar

Pedi-te para esquecer
Essa tristeza que lembras-te
O que foi não tens que dizer
Leio nos teus olhos o que sonhas-te

A musica te fez relembrar
A tristeza de outros tempos
Só espero que te faça voltar
Para o tempo em que vivemos

Não percas a esperança
Tudo se vai refazer
Não obrigues minha alma
A ver teus olhos sofrer

Pedes-me para ir embora
Para não ver tua alma ferida
Para fazer isso é tarde agora
Já entras-te em minha vida

So te quero perguntar
Porque estás a sofrer
Isso que vejo em teus olhos
Não é alegria de viver

E se não quiseres desabafar
Eu entendo que seja assim
Espero que um dia possas contar
Tendo confiança suficiente em mim

















Adeus

Tenho medo de te perder
Acordar e não te ter aqui
Tenho medo de não esquecer
O sonho que perdi

Vi-te voar para longe
Como se um sonho te levasse
Senti as lágrimas nos meus olhos
Como se tudo acabasse

Já nada interessa
Tudo acaba aqui
Tenho medo de não te esquecer
E sentir que te perdi

Na minha alma morreu
O sonho em que quis acreditar
O meu coração esqueceu
Já não sabe o que é sonhar

Tudo isto e culpa tua
Porque me fizeste acreditar
Que toda a minha vida
Se resumia ao teu olhar

Quanta segurança me deste
Através dos teus olhos
Quantos corações desfizeste
Estúpido ladrão de sonhos

Dizes que vais voltar
E nisso não sei se acredito
Mas a tua espera vou ficar
Por um tempo infinito.