terça-feira, fevereiro 14, 2006















Transparências

Nesta sala vazia
Relembro tuas mãos
Relembro em vão teus olhos
Relembro… em vão
Mas de que é feita a vida?
De que é ela feita
senão destas vãs recordações de nada
destes breves momentos de nada
em que me perco e me encontro
e em que entro nesta confissão
do tempo e desta breve madrugada?
Sim, gasto o meu tempo
gasto-o com estas memorias tuas
que de tão relembradas
de tão revisitadas
se tornaram breves lampejos
transparentes e gasto de algo que foi
Inconsciente, procuro-te nestas paredes
nestes muros
nestes paralelos da calçada
que tantas vezes calcorreamos juntos.
Ainda tento encontrar um lampejo
do teu sorriso
que não estivesse demasiado gasto
para te Relembrar.
E de novo me dou conta que todos
estão demasiado gastos
demasiado transparentes
demasiado… meus…
Sei-o, estou consciente de que tu
do outro lado do mundo
Nunca, mas mesmo nunca irás ouvir
esta brisa perene de lágrimas surdas
este breve lampejo de dor
que ficou da tua presença..
Perdida, mas continuo aqui a tua espera
e a espera de um sinal de que voltas
E estou aqui… sozinha
pois todos já se fartaram
de esperar o teu regresso
E todos já perderam a esperança
menos eu…

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