
Um anjo que vela
Presente nas mais remotas
sombras da essência
Um anjo vela a alma perdida
Não sabendo da sua existência
A alma chora esquecida.
Os corais dormem na falésia
Cortejando o abismo reluzente
Gozam o malfadado fado
Da sofrida alma que sente.
E o anjo não se revela
E mantém-se da alma escondido
Sofre pela alma que pena
Uma réstia do sonho esquecido.
Mas a alma desconsolada
Pela dor do seu mal atroz
Cai nos braços, é embalada
Pelo anjo das sombras
Protector dos sós.
E a alma que morre lentamente
Em chamas se irromperá um dia
E a fénix que delas brota lentamente
Não lembrará certamente
O embalo do anjo que nas sombras vigia.

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